Tuesday, October 25, 2005

Uma Viagem pelas Terras Sombrias...




Dj Shadow não se movimenta no campo dos comuns mortais. O seu nome já há muito ficou gravado na histório da música, por todos aqueles que pousaram a agulha, inseriram o Cd, abriram o ficheiro ou a cassete de Entroducing... É dificil imaginar adjectvos, palavras, sinónimos de Entroducing, o disco de Shadow. A sua sonoridade, a inventividade, a estética musical subjacente nas colagens que tema após tema nos levam pela colecção empoeirada de rodelas vinilicas de Josh Davis é uma viagem de cortar a respiração, as programações, o sampling, a magia que Shadow colocou neste disco sob o selo da Mo'Wax são objectos de estudo de admiração e até de obcessão, por aqueles que o compreendem e o vêem como o grande músico que é...



Mas eu nunca arranjei coragem para divagar sobre Entroducing ou qualquer outro disco que Shadow tenha lançado sob o seu nome, desta vez após já um paragrafo introdutório que não consegui evitar, debruço-me sobre o universo paralelo de James Lavelle e Dj Shadow de braço dado em
Psyence Fiction, no projecto UNKLE no ano de 1998.



James Lavelle dispensa introduções, patrão da Mo'Wax e fundador da label (que rapidamente se tornou casa de grandes discos) partilha em UNKLE a produção com Josh Davis, embora com um Lavelle menos fazedor que Shadow, ambos orquestram juntos um denso e estranho universo que mais tarde se chamou de UNKLE. Com as programações de Shadow, e com maior parte da produção actual a cargo dele, com a supervisionação de Lavelle e com a escrita de temas a ser partilhada ora quer por Lavelle e Shadow ou pelo ultimo a sós em alguns dos grandes temas do albúm... Não é injusto dizer que UNKLE é um projecto escrito por James e Josh, produzido por Shadow e a contar com um role de convidados luxuosos que Lavelle conseguiu atrair para o universo biónico de UNKLE neste primeiro album.


Psyence Fiction resulta da visão musical de duas mentes, dois unversos que se fundem na música, é notório o toque shadowiano nas programações (especialmente nas proramações ritmicas) e na construção dos temas, mas também se vê a fusão com a visão de Lavelle, as atmosferas mais étereas, a digitalização, o ambiente...



É um disco sem duvida alguma fenomenal, ao lado dos grandes marcos da electrónica que muitos caracterizam por trip-hop como os Portishead (com Dummy) ou os Massive (Mezzanine) ou mesmo o universo de Dj Shadow.

UNKLE: Psyence Fiction é um disco de diferentes velocidades, ora Shadow liga inicialmente as 45 rpm's na faixa introdutoria e no tema de abertura, ora deixa-se levar pelo tri-hop melódico da bela voz melancolica de Alice Temple no tema Bloodstain (um tema que tal como em tantos sulcos de vinil Shadowianos não nos deixa abrir os olhos durante mais que 20 segundos seguidos).
Explosivo e genialmente programado como em Drums of Death (convidado de luxo : Mike D dos Beastie, com Shadow nos cuts as usual), ou denso, profundo e deprimente onde Tom Yorke (dos RadioHead) vem dar a sua maozinha(vozinha...) em Rabbit In Your Headlights o tema mais bem recebido do album pela critica. Entre partilhar a mesa ou as programcoes entre Josh e James o resultado é a visão de James tocada pelas maos de Shadow, com as suas programacoes de percussão, e com o seu toque caracteristico, com a sua visão, o seu sentimento, o ambiente denso e o sampling respeitoso e cortante, empoeirado e perfeitamente orquestrado, digno de mais nenhum outro digger que não fosse Josh Davis.



Este disco acima é a estreia dos UNKLE num território mainstream, carregado de breaks e produções densas a vaguear o hip hop, o trip-hop, o rock e muitas outras divagações de Lavelle e Shadow.
Infelizmente (ou felizmente para alguns) a formação de UNKLE já não conta com Shadow, Lavelle tem o seu novo disco de UNKLE pronto e sai neste mesmo mês, se é que já não saiu.
No entanto isso será matéria para outra altura, bem como as divagações sobre os discos intermédios dos UNKLE, a nova formação e a saida de Shadow.



Never, Never Land é o mais recente registo de UNKLE (Lavelle e o novo membro da familia Richard File)



Paz, desculpem, a demora, o meu tempo está repartido entre tantas coisas da vida, o diggin', curso, isto e isto...

Wednesday, October 12, 2005

Uma forma Diferente de ver o Jazz..

A New Kind Of Blue (estreia hoje as 19h aqui, na RIIST) é uma forma diferente de ver o Jazz, a criação de André Graça e Pedro Lopes, da autoria de Pedro Lopes, ganha forma, mesmo que ainda muito rudimentar na Rádio Do Instituto Superior Técnico.

Um programa dedicado ao jazz, e a tudo o que lá possa chegar, num formato diferente, em jeito de improviso, sem temas ou alinhamentos prévios.

Um programa em fase crescente, uma ligação ampla entre o ouvinte e o locutor, todas as quartas pelas 19h na Riist.


O primeiro destque mensal vai para John Coltrane



Para saber mais sobre A New Kind OF Blue visitar o link.
Boas audições...

Sunday, October 09, 2005

Audições!

Infelizmente não tenho tido muito tempo para os escritos e divagações do costume por estes lados, no entanto queria partilhar e deixar aqui os albuns que estão mais recentemente no leitor, como de costume não são albuns recentes, nem de nenhum estilo em particular, são simplesmente o que ando a precisar de ouvir:


Joe Zawinul Syndicate – My people


Joe Zawinul, conhecem o seu nome os fãs de Weather Report (ou qualquer teclista que se preze!), nesta fase pós-Weather Report, concebe em My People um dos mais belos albúns que já ouvi, entre toques dos seus milhões de sintetizadores e pianos, abraçando uma sonoridade mais étnica, mas ainda por muitas vezes sentindo o toque da fusão jazz-rock que se aguentou nos WR durante duas décadas ou mais...



UNKLE – Psyence Fiction




Um disco de génio feito por um génio com intervenções geniais de outros génios.



John Coltrane – A Love Supreme (LP)


(probably..) O mais belo disco do saxofonista mais importante desde a decada de 50 and so on till' the early days, A Love Supreme são as visões brilhantes e claras de um verdadeiro músico, um Lp incrivel, que vem a propósito do seu destaque no programa semanal de Jazz da RIIST, A New Kind Of Blue. ( o nosso sitio para as divagações Jazzisticas)


John Lee Hooker e Miles Davis
The Hot Spot Album (OST)


Feito a proposito do Filme Hot Spot, é uma banda Sonora de blues, entre toques mais jazzisticos de Miles e um blues mais strip-tease de J.Lee Hooker... um grande album!
(P.s.:é um bom album para uma boa noite!)

Entretanto, o próximo texto será uma divagação/opinião sobre as terras indistintas de Psyence Fiction (James Lavelle e Shadow, Mo’Wax).

Paz